Technolinguagem marca nova era nas interrelações

Posted by herval on 4/Jun/2010 in Blog | 1 comment

Há quem diga que o código de barra como nós conhecemos está com os dias contados. Novos formatos de leitura e armazenamento de dados estão ganhando as prateleiras dos supermercados, farmácias e até anúncios publicitários. Os códigos bidimensionais (2D), como QR Code, Aztec e Datamatrix, são alguns exemplos que vêm ganhando espaço e a preferência das indústrias. Duas delas, inclusive, já começaram a adotar o novo sistema por determinação dos órgãos reguladores: as indústrias aérea e farmacêutica.

No Brasil, o código em 2D ainda está em processo de adaptação, mas os especialistas garantem que em pouco tempo o sistema estará difundido em todo o país levando à falência o código de barra Serial ou EAN Code. “Não há dúvida quanto a essa transição. Pode demorar um pouco, porque exige um alto investimento na troca dos leitores, mas vai acontecer, com certeza”, garante o empresário André Assad, da Avaty! Tecnologia.

A utilidade desses novos códigos parece infinita. Desde 2003, estão sendo desenvolvidas aplicações para ajudar os usuários na tarefa de adicionar dados em telefones celulares. Além das informações armazenadas nos códigos das embalagens de medicamentos e produtos de supermercado, a tecnologia já permite, por exemplo, receber o ticket do show ou do jogo de futebol diretamente no celular.

Também é possível encontrar os códigos em revistas e propagandas, onde são utilizados para guardar endereços e URLs. “Veículos de comunicação como jornais, revistas e até a televisão podem disponibilizar informações complementares a partir do código. O usuário terá acesso a mais conteúdo, como textos, vídeos, fotos e áudio, com um simples clique”, comentou o diretor de Projetos da empresa Ativaweb Group, Aleksandro Maracajá Correia.

Possibilidades
Há inúmeras possibilidades para o uso dessa tecnologia e em alguns países, como Japão, Estados Unidos e França, ela já é amplamente empregada em áreas como embalagens de produtos (mostrando valores nutricionais), em vitrines de lojas (anunciando promoções), em indústrias (gerenciando inventários), em pontos turísticos (apresentando informações sobre o local) e até em paradas de ônibus, exibindo trajetórias e horários das linhas.

Além de grande capacidade de armazenamento, essa ferramenta traz como grande diferencial a capacidade de integrar mídias, estabelecendo pontes entre os meios físicos e os digitais.

Na mídia e na música
A banda Pet Shop Boys utilizou imagens do código QR no clipe da música “Integral”. São dezenas de códigos que aparecem durante o clipe. Todas as imagens quando decodificadas apresentam links para diferentes sites, em geral tratando da questão da privacidade no mundo contemporâneo.

No Brasil, o primeiro anúncio publicitário a utilizar o código QR foi publicado pela Fast Shop em dezembro de 2007. Mais tarde a Nova Schin publicou um anúncio com o código em junho de 2008 e a Claro fez uma campanha utilizando o Código QR em novembro de 2008. A Revista Galileu da Editora Globo também aderiu QR para que o usuário tivesse acesso a informações extras através do celular.

Aleksandro Maracajá esclarece que o leitor de QR Code pode ser instalado em vários equipamentos que estão no mercado. “Alguns modelos de celulares até já vem com o leitor e software instalados, basta abrir o programa e enquadrar o código de barras na telinha do aparelho”, explicou.

Empresas da PB usam código 2D
Algumas empresas de tecnologia da Paraíba já trabalham com o código de barra em 2D. A Avaty! Tecnologia, sediada em João Pessoa, é uma delas. De acordo com o diretor da empresa, André Assad, a Avaty! foi pioneira na utilização dessa tecnologia na Paraíba. Desde 2006, quando começou, até agora, os códigos em QR Code da empresa já estão espalhados por vários países como Alemanha, Inglaterra, Espanha e Romênia.

Na Inglaterra, inclusive, os ingressos do time de futebol Southend United, por exemplo, são comercializados através de um call center, que oferece duas opções de resgate para o ticket: na bilheteria do estádio ou através do envio dos dados para o celular através de QR Code. O sistema utilizado pelo time de futebol foi desenvolvido na Paraíba, pela equipe da Avaty!. Segundo Assad, a empresa também promoveu o primeiro e único evento de João Pessoa que fez uso da tecnologia: o Jampa Mobility Forum.

Na Alemanha, a operadora de celular O2 utilizou o sistema da Avaty! para controlar o acesso em um evento. Na Romênia, o sistema é utilizado para embarque de passageiros num metrô do país. A empresa aérea da Espanha SpainAir também utiliza o código 2D da empresa como ticket aéreo. André Assad explicou que a International Air Transport Association (Aita), órgão internacional de regulamentação do sistema aéreo, já determinou a implantação do sistema 2D nos cartões de embarque de todas as operadoras. “Algumas empresas nacionais já estão estudando proposta do nosso sistema”, comentou.

Implante de chip subcutâneo
Outro forte substituto para o código de barra é o RFID (Radio Frequency Identification), padrão de chip de identificação mais utilizado em todo o mundo. O empresário Herval Freire Júnior explica que o RFID é utilizado atualmente de várias maneiras, como na identificação de animais. “Isso acontece através de um chip do tamanho de um grão de arroz, implantado sob a pele do animal”, explicou.

Os microchips também são utilizados no rastreamento de produtos e em inventários: “Praticamente todos os cartuchos de impressora tem um chip-etiqueta colado na caixa ou no próprio cartucho. Chips-etiqueta também são colados na contra-capa de livros ou na caixa de CDs”, comentou o empresário da BlooBox.

Aplicações mais recentes incluem passaportes (americanos e europeus) e até pessoas com chips implantados na mão, que servem, por exemplo, para abrir portas com fechaduras programadas. “Alguns estudiosos defendem que alguma tecnologia desse tipo poderia, no futuro, substituir todos os nossos documentos. Já pensou?”, contou Herval Junior.

Mesmo com tanta versatilidade, a utilização do RFID mais aguardada por todos ainda não se concretizou por motivos econômicos: a idéia é substituir todos os códigos de barras dos produtos de supermercado por chips RFID. “Dessa forma, bastaria passar o carrinho por uma ‘zona de leitura’ e todos os produtos seriam identificados automaticamente”, explicou o especialista.

Herval conta que já existem iniciativas a título de teste em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. “Foi feito um experimento numa unidade do Pão de Açúcar de São Paulo há alguns anos, mas não sei exatamente em que pé ficou”, comentou. A idéia pode acelerar em até 50% o atendimento, eliminando grande parte das filas. “Não chegamos lá ainda, mas com a adoção em massa para controle de logística (muitos fabricantes já incluem RFIDs em suas embalagens para controle próprio), é questão de tempo até esse sonho começar a se concretizar”, finalizou o empresário.

Larissa Claro
* Matéria publicada no Jornal Correio da Paraíba, caderno Millenium, em 23/05/2010.

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